Limpando o Mundo, a luta contínua por uma cidade mais limpa e sustentável
“Em mais de duas décadas do Projeto Limpando o Mundo, cerca de 400
ações foram realizadas na cidade de Fortaleza-CE, contribuindo para a remoção
de quase 300 toneladas de lixo”
Desde o ano de 1994, existe uma preocupação, os primeiros
alertas sobre a grande problemática no oceano, que é a poluição marinha por
plásticos e resíduos sólidos. Pensando na vida marinha e na saúde dos
ecossistemas costeiros, foi criado em 1996, na cidade de Fortaleza-CE, o Limpando
o Mundo. Projeto de educação ambiental contínuo, que pesquisa, monitora e
mobiliza campanhas com treinamentos para pessoas voluntárias, formando uma rede
de informações e sensibilização para atuar no recolhimento do lixo encontrado
em ecossistemas aquáticos como estuário, praia, duna e mangue.
“A preocupação sempre foi a vida marinha, somos guardiões
dos rios, mares, mas principalmente, os porta-vozes das baleias, dos golfinhos,
da vida marinha, do próprio alimento que vem pra gente como os peixes e os
crustáceos. Há a presença de microplástico não somente nesses animais, mas em
toda a cadeia alimentar”, afirma o coordenador do Projeto Limpando o Mundo, o
biólogo Juaci Araújo.
Segundo Juaci, em mais de duas décadas do Projeto, cerca de
400 ações foram realizadas na cidade de Fortaleza, contribuindo para a remoção de
quase 300 toneladas de lixo. Estipula-se a participação nessas ações de 40.000
pessoas voluntárias em prol do meio ambiente, um número bastante significativo.
A quantidade de resíduos jogados na costa é exorbitante, por
isso o enfrentamento não para. Mas para onde vai o lixo recolhido após as ações
ambientais na zona costeira? O Limpando o Mundo separa o material que pode ser
aproveitado para reciclagem e leva-o às Cooperativas, entretanto, cerca de 50%
desse material não tem como ser reaproveitado por causa da contaminação, seja
pela areia, água do mar, sal ou pelo tempo de decomposição em ambientes onde os
fatores físicos são alterados rapidamente, dessa forma acaba perdendo a
qualidade e fica impróprio à reciclagem. O destino acaba sendo o aterro.
Educador e ativista, Juaci Araújo acredita na educação
ambiental, na coleta seletiva e na reciclagem como alternativas para diminuir o
impacto que o lixo causa ao meio ambiente. Afirma que os catadores e as
cooperativas de reciclagem são peças fundamentais na sociedade, e lamenta pela
invisibilidade dos catadores, que trabalham precariamente, sobrevivendo do luxo
e lixo da sociedade. E, acrescenta: “No estado do Ceará, por exemplo, há o
programa auxílio catador, um incentivo, mas é preciso mais eficiência e avanços
em uma pauta tão importante e necessária como a do meio ambiente. Estamos em um
grande círculo, desde que o produto é pensado pelo designer, até o momento em
que é descartado, e da forma como é descartado, ele tem que voltar para dentro
do ciclo de reciclagem para se tornar um produto novamente. A gente perde
bilhões por ano porque esse material, que é matéria-prima, está saindo da
natureza e sendo descartado de forma totalmente errada e trazendo consequências
desastrosas para o nosso planeta”.
Para Juaci, trabalhar em rede, hoje, é uma grande
estratégia, pois são vários olhares, várias formas transversais de se pensar soluções
e resolver problemáticas, de modo a encaixar diversos atores sociais que podem
ajudar nessas transformações e colaborar para que elas caminhem com mais
celeridade. Ao ser indagado sobre limpar a zona costeira na cidade de Fortaleza
há mais de 20 anos e encontrá-la cada vez mais suja, o biólogo comenta: “o que
desanima é saber que até 2030, a produção de plástico pelas grandes indústrias
vai triplicar, em vez de frear a produção de plástico para o planeta, essas
grandes, megas indústrias, o grande polo industrial de produção de plástico
junto com toda a questão do petróleo aumenta, então é desanimador. A gente faz
uma luta de um lado e eles pensam no lucro, do outro”.
Coleta seletiva, reciclagem, uso de composteira, desenvolver
o hábito de plantar pequenas hortaliças, dialogar com catadores e separar os
materiais para eles são estratégias que cada pessoa pode adotar. A
Educomunicação também é apontada por Juaci como uma ferramenta para acelerar o
trabalho de sensibilização, informação e educação para a sociedade, além do monitoramento,
campanhas e políticas públicas.
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